Nota de Imprensa
Creches e Jardins de Infância devem ser lugares de afeto, não de violência: IAC apela à tolerância zero e à mudança de paradigma na educação
Face às recentes e alarmantes notícias de maus-tratos em contextos de creches e jardins de infância em todo o país, o Instituto de Apoio à Criança (IAC) vem publicamente expressar a sua profunda preocupação e repúdio inequívoco por qualquer forma de violência física ou psicológica contra as crianças.
Estes espaços, que devem ser portos seguros de desenvolvimento, socialização e afeto, e que, na maior parte das vezes são, graças ao empenho de muitos profissionais competentes, não podem, sob pretexto algum, transformar-se, como tem sido noticiado, em palcos de agressão ou negligência. A segurança e os direitos fundamentais das crianças têm de ser uma prioridade absoluta e intransigente de toda a sociedade.
Este cenário de crise relembra-nos de que a violência contra os mais novos muitas vezes começa na base da tolerância social ao castigo corporal. O IAC, através da sua campanha “Nem mais uma palmada”, reitera que a força física e a violência psicológica, nunca são uma ferramenta pedagógica válida. É urgente mudar mentalidades.
A ciência e a psicologia do desenvolvimento já demonstraram, sem margem para dúvidas, que a violência gera violência, comprometendo severamente a saúde mental, a autoestima, a aprendizagem e a capacidade de vinculação segura da criança. Se exigimos uma sociedade sem violência entre adultos, temos de ser os primeiros a erradicá-la na relação com as crianças.
“Será que uma palmada resolve?” A resposta é um “não” redondo e fundamentado. No âmbito do relatório de investigação desenvolvido pelo IAC e da brochura informativa “Desafios da Parentalidade: bater não é educar”, distribuída junto de famílias e profissionais, fica claro que o castigo físico é humilhante:
- Não educa, apenas silencia pelo medo.
- Bloqueia a capacidade de aprendizagem e de autorregulação emocional da criança.
- Fratura a confiança que a criança deposita nos seus cuidadores e educadores de referência.
A parentalidade consciente e a educação profissional positiva não se constroem através do medo, mas sim através do estabelecimento de limites firmes, baseados no respeito mútuo, na escuta ativa e na compreensão das necessidades de cada criança e de cada etapa do desenvolvimento infantil.
Perante a gravidade dos factos conhecidos, a direção do IAC insta as entidades fiscalizadoras e a comunidade educativa a tomarem medidas imediatas:
- Formação contínua e apoio aos profissionais – Cuidar e educar na primeira infância é de uma enorme exigência emocional. É vital dotar os profissionais de ferramentas de gestão de stress, regulação emocional e estratégias de educação positiva e apoiá-los em situação de burnout.
- Reforço urgente da fiscalização – É imperativo que a inspeção e a monitorização de todas as valências de apoio à infância (públicas, privadas e de solidariedade social) sejam rigorosas, frequentes e proativas.
- Canais de denúncia seguros – Garantir que profissionais, pais e a comunidade em geral disponham de meios céleres e confidenciais para alertar sobre qualquer suspeita de maus-tratos.
O Instituto de Apoio à Criança continuará na linha da frente, disponibilizando o seu Centro de Formação, os seus recursos pedagógicos, as suas investigações, a sua Linha de Apoio – SOS Criança e Jovem, telefone 116111- e a sua voz na Defesa da Criança, para apoiar as famílias e capacitar os profissionais de educação na construção de uma cultura de paz e de afeto.
“Educar sem violência é um dever de todos. Proteger a infância é garantir o futuro.”
Para mais informações:
Anabela Reis – área do Marketing, Comunicação e Projetos
anabela.reis@iacrianca.pt | 966603936











