Barómetro Europeu revela preocupação das famílias portuguesas com a capacidade de responder às necessidades dos filhos
Estudo alerta para o impacto da insuficiência de rendimentos, da pobreza energética e da precariedade no bem-estar das famílias
Entre os participantes portugueses no Barómetro Europeu da Pobreza e Precariedade 2026, 52% manifestam preocupação quanto à sua capacidade para responder às necessidades dos filhos. O dado integra o Barómetro Europeu da Pobreza e Precariedade 2026, realizado pelo Ipsos para o Secours Populaire Français e parceiros europeus, entre os quais o Instituto de Apoio à Criança.
O estudo revela uma precariedade persistente na Europa: 29% dos europeus consideram viver numa situação de precariedade e 34% afirmam não dispor de rendimentos suficientes para responder às suas necessidades. O trabalho também já não garante a mesma proteção: 34% dos trabalhadores europeus dizem que o rendimento do trabalho não cobre todas as despesas.
Em Portugal, os resultados evidenciam uma forte pressão económica e emocional sobre as famílias inquiridas:
– 52% estão preocupados com a capacidade de responder às necessidades dos filhos;
– 75% das pessoas em situação de precariedade apontam a insuficiência de rendimentos como principal causa;
– 81% das pessoas com dificuldades para chegar ao fim do mês referem ansiedade ou medo;
– 24% não conseguiram manter a casa suficientemente quente no último inverno;
– 77% mostram-se preocupados com os custos de combustível.
A pobreza energética, analisada este ano pela primeira vez como foco específico do Barómetro, agrava estas dificuldades. Na Europa, 63% receiam não conseguir fazer face ao preço dos combustíveis e 38% já reduziram despesas essenciais, como alimentação ou saúde, para pagar as faturas de energia. Os custos de mobilidade também têm consequências concretas: 23% dos europeus já abdicaram de uma consulta médica devido ao preço dos combustíveis.
“A pobreza infantil não se traduz apenas na falta de resposta às necessidades básicas. Traduz-se também nas oportunidades que uma criança deixa de ter, seja no acesso à saúde, à educação, à cultura, ao lazer e à participação. Preocupa-nos que esta vulnerabilidade esteja a atingir também famílias em que os adultos trabalham. O emprego continua a ser um importante fator de proteção, mas já não é, por si só, garantia contra a pobreza.”
Para o IAC, estes resultados reforçam a necessidade de uma abordagem multidimensional à pobreza infantil, que considere não apenas o rendimento, mas também as condições de habitação, saúde e saúde mental, educação, mobilidade, participação e oportunidades das crianças e jovens.
Sobre o Barómetro
O Barómetro Europeu da Pobreza e Precariedade 2026 foi realizado pelo Ipsos para o Secours Populaire Français e parceiros europeus. Foram inquiridos online 10.000 adultos com 18 ou mais anos na Alemanha, França, Grécia, Itália, Moldávia, Polónia, Portugal, Roménia, Reino Unido e Sérvia, entre 6 de maio e 9 de junho de 2026. Esta é a quinta edição do estudo à escala europeia.
Lisboa, 09 de setembro de 2026
Para mais informações:
Área da Cooperação Internacional
iac-cooperacao@iacrianca.pt | 213617880
isboa, 22 de maio de 202












