No dia 15 de abril de 2026, a equipa do Sector de Humanização e Direito a Brincar dinamizou uma sessão dirigida às famílias do Centro de Acolhimento Infantil Vale Fundão, subordinada ao tema “O Poder de Desligar em Família: As tecnologias são mais um membro da família?”.
A sessão começou com um convite à reflexão sobre a relação dos próprios adultos com as tecnologias, reforçando a ideia de que as crianças aprendem sobretudo pelo exemplo. Num ambiente seguro e de partilha, foi promovida uma abordagem consciente e sem julgamento, centrada na capacitação das famílias para fazerem escolhas informadas e equilibradas no uso dos ecrãs.
Ao longo da sessão, foram abordados os impactos das tecnologias na parentalidade e no desenvolvimento infantil, com especial enfoque nos primeiros anos de vida, uma fase crítica para o crescimento cerebral, fortemente dependente de interações humanas, brincadeira e da relação entre os cuidadores e as crianças. Foi destacado que a atenção dividida entre o telemóvel e a criança representa oportunidades perdidas de conexão, essenciais para o desenvolvimento emocional e cognitivo.
Foram também exploradas as razões que levam ao uso frequente de ecrãs no quotidiano familiar, como a gestão do cansaço ou das emoções, desmistificando algumas das suas aparentes vantagens e refletindo sobre alternativas mais ajustadas, nomeadamente ao nível da regulação emocional e do entretenimento.
A sessão incluiu ainda orientações práticas para as famílias, como a criação de “ilhas sem ecrã” (por exemplo, na mesa de refeições ou no quarto), a gestão de transições no uso de tecnologia e a importância de um exemplo parental coerente. Foi reforçada a ideia de que os ecrãs não são, por si só, negativos, mas que o seu impacto depende da quantidade, do conteúdo, do contexto e da função que assumem na vida das crianças.
O encontro terminou com um convite ao compromisso individual de pequenas mudanças no quotidiano, valorizando o tempo de qualidade em família, o brincar livre e a presença plena como os principais promotores do desenvolvimento infantil.
Esta iniciativa reforça a importância de apoiar as famílias na construção de relações mais conscientes e equilibradas, reconhecendo que as crianças não precisam de pais perfeitos, mas de pais disponíveis, presentes e conectados.














