Há alguns meses, os nossos jovens começaram a ter aulas de expressão dramática. Numa perspetiva mais superficial, as aulas constituem dinâmicas de grupo (muitas vezes repetidas até à exaustão) e por coreografias teatrais que procuram transmitir uma mensagem e emoções de várias cores e tonalidades.
No entanto, é “um pouco” mais do que isso: o que se observa é um espaço físico e humano de muita cumplicidade, onde as emoções e as tensões que não têm permissão para se expressar noutros contextos, ganham vida e expressam-se através do movimento, dos sons, da palavra.
Neste ambiente de caos organizado, onde existem momentos que apelam à energia e também à concentração, expressam-se diferentes sentimentos que ganham vida nos sorrisos, nas gargalhadas, nos olhares sérios e até nas lágrimas.
Os intervenientes são todos tão diferentes: uns são muito altos, outros baixos, uns vivem com a cabeça nos jogos de computador, outros com a cabeça no mundo do futebol, uns são muito mexidos, outros mais tranquilos; uns falam a gritar e outros falam com o olhar. São tão diferentes, mas tão iguais…
A ausência de um colega é sentida de forma evidente por todo o grupo. Todos têm um papel, uma função, a sua importância.
Uns começaram a atividade com o rótulo de criança hiperativa e com défice de atenção; outros com problemas de confiança e auto-estima, outros com problemas de socialização….
Diagnósticos destes não se apagam com aulas semanais de uma hora e meia mas passam despercebidos quando ouvimos o jovem tímido projetar a sua voz perante uma plateia repleta de jovens da sua idade, quando vemos a criança irrequieta aguardar pacientemente a sua vez para atuar; quando a criança conflituosa já não se distingue das demais.
Foi uma mistura de todas estas impressões que ficou expressa no encerramento das aulas de expressão dramática.
No dia 27 de maio os nossos jovens foram apresentar o seu trabalho a Vila Nova de Gaia no âmbito encerramento do Projeto da Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal “O Futuro Começa Agora”. A peça concebida numa perspetiva do enaltecimento dos Direitos Humanos teve grande aceitação por parte do auditório.
No dia seguinte foi a vez da peça ir a cena, no auditório da Biblioteca Municipal de Marvila, perante a suas famílias, perante a sua comunidade. Consta que já existem convites para futuras atuações…
As palmas, as felicitações e os abraços que se seguiram encerram por agora este processo transformador, mas vão continuar a ecoar nos corações e na alma dos nossos jovens atores.














