Entre os dias 16 e 20 de março, participámos, enquanto representantes da Escola de Segunda Oportunidade de Lisboa, na mobilidade internacional “Immersion in Czech Republic”, integrada no programa Erasmus+. Ao longo de cinco dias, partilhámos esta experiência com colegas de diferentes pontos do país — Açores, Matosinhos, Valongo e Samora Correia — e com parceiros europeus de Paris, Barcelona e da República Checa, num percurso que nos levou de Tábor a Praga.
Mais do que conhecer novas instituições, esta imersão permitiu-nos olhar para o nosso próprio trabalho com maior distanciamento crítico. Em Tábor, fomos recebidos numa escola profissional checa que, não sendo ainda uma Escola de Segunda Oportunidade, procura aproximar-se deste modelo. Esse contacto revelou-se particularmente interessante: perceber que aquilo que, para nós, é já uma prática consolidada, noutros contextos está ainda em construção, reforçou a consciência do caminho que temos vindo a fazer.
A visita a Sezimovo Ústí, à escola fundada por Tomáš Baťa, trouxe-nos uma dimensão histórica e simbólica relevante, mas foi sobretudo a possibilidade de entrar numa sala de aula, observar dinâmicas reais e participar num momento pedagógico que mais nos marcou. A forma como os contextos institucionais moldam as práticas ficou ainda mais evidente numa conversa com um representante ligado à área da empregabilidade, onde se discutiu o papel destas respostas educativas na integração profissional dos jovens.
Em Praga, a experiência ganhou novos contornos. Para além da componente cultural, que nos permitiu compreender melhor o contexto local, destacamos os workshops na Europa Experience que reforçaram a dimensão da cidadania europeia e a atividade na Magenta Experience, onde fomos desafiados a gravar um podcast — um exercício que, para além de técnico, foi também um espaço de expressão e reflexão sobre aquilo que vivemos, sobre as diferenças entre escolas e sobre a nossa opinião sobre as diferentes escolas.
Ao longo de toda a experiência, tornou-se claro que, apesar de partirmos de uma problemática comum — jovens em situação de vulnerabilidade e afastamento dos percursos escolares tradicionais — as respostas são diversas. Em França, por exemplo, a intervenção centra-se essencialmente na empregabilidade, enquanto noutros contextos se procura uma articulação mais equilibrada entre educação e inserção profissional. No nosso caso, destacamos um aspeto que se revelou diferenciador: a presença simultânea, em sala, de um técnico da área social e de um professor, uma prática que suscitou interesse e reflexão entre os parceiros, sobretudo quando comparada com modelos mais tradicionais baseados exclusivamente na docência em sala.
Esta experiência permitiu-nos também reconhecer que não partimos do zero. Algumas das aprendizagens que hoje fazem parte do nosso quotidiano resultam de experiências anteriores, bem como de mobilidades anteriores, como a realizada em Paris, e continuam a ganhar sentido à luz de novos contextos. Ao mesmo tempo, ficámos com a convicção de que estas oportunidades devem, progressivamente, chegar também aos nossos jovens, abrindo-lhes horizontes e possibilidades que ultrapassam o seu contexto imediato.
Regressamos com mais perguntas do que respostas — e talvez isso seja o mais importante. Porque é nesse espaço que se constrói uma prática mais consciente, mais ajustada e, sobretudo, mais próxima das necessidades reais dos jovens com quem trabalhamos.











